Em julho de 2018, Angela Hernandez tinha 23 anos e fazia uma viagem de carro pela costa oeste dos Estados Unidos. Ela dirigia de Portland para visitar a irmã no sul da Califórnia, seguindo pela Highway 1, a famosa estrada que acompanha os penhascos da região de Big Sur.
Segundo seu relato, um pequeno animal entrou na pista. Ela desviou.
Seu Jeep despencou do penhasco.
O veículo caiu cerca de 60 metros por uma encosta quase vertical até a praia rochosa e as águas geladas do Oceano Pacífico.
Angela recuperou a consciência ainda presa ao banco, enquanto o carro começava a encher de água. Estava com um ferimento na cabeça e sentia dores intensas por todo o corpo. Encontrou uma ferramenta multifuncional que mantinha próxima ao banco, quebrou a janela do motorista e conseguiu sair do Jeep antes que ele afundasse completamente.
Ela havia sobrevivido a uma queda praticamente impossível e também ao mar.
Mas agora estava presa na base de um penhasco que não conseguia escalar, em uma praia isolada, enquanto a rodovia permanecia muito acima de sua posição. Sofria de hemorragia cerebral, quatro costelas quebradas, fraturas nas duas clavículas, um pulmão colapsado e vasos sanguíneos rompidos nos dois olhos.
E ninguém sabia onde ela estava.
Restava apenas uma opção:
Sobreviver.
Entre os destroços do veículo, encontrou uma mangueira e passou a utilizá-la para beber a pequena quantidade de água doce que escorria pelas rochas cobertas de musgo. Essa passou a ser sua rotina diária. Todos os dias, apesar dos ferimentos, arrastava-se até o ponto mais alto que conseguia alcançar e gritava em direção aos pequenos carros que via passando pela rodovia, muito acima dela, esperando que alguém finalmente a ouvisse.
Ninguém ouviu.
Os dias se passaram. Ela sonhava acordada com comida, pensava na irmã e imaginava o rosto da pessoa que um dia a encontraria.
Sete dias depois, um casal que caminhava pela região de Big Sur avistou algo na base do penhasco: um Jeep completamente destruído, com o teto praticamente arrancado pelo impacto.
Ao se aproximarem, acreditavam que encontrariam apenas os destroços e, possivelmente, uma vítima fatal.
Mas não havia nenhum corpo.
Quando estavam prestes a ir embora, ouviram uma voz fraca pedindo socorro.
Era Angela.
Ela deu alguns passos com dificuldade e levantou a mão para acenar. O casal correu até ela, incrédulo por encontrá-la viva.
Angela havia sobrevivido à queda, ao oceano e a sete dias completamente sozinha, gravemente ferida, na base de um penhasco.
Sua sobrevivência não foi resultado apenas da força física nem apenas da sorte. Foi também consequência de sua decisão de continuar tentando sobreviver, dia após dia, apesar dos ferimentos e do isolamento.
Às vezes, sobreviver não depende de um único ato heroico.
Depende da escolha de continuar lutando por mais um dia, mesmo quando tudo parece perdido.
E, às vezes, depois de dias de espera, alguém finalmente escuta o seu pedido de ajuda.
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