O CABELO DELA GUARDOU OS ÚLTIMOS MESES DE SUA VIDA. 500 ANOS DEPOIS, A CIÊNCIA CONSEGUIU “LER” ESSA HISTÓRIA.
Em 1999, arqueólogos que trabalhavam próximo ao vulcão Llullaillaco, a mais de 6.700 metros de altitude, na fronteira entre Argentina e Chile, fizeram uma descoberta extraordinária.
Eles encontraram os corpos de três crianças incas, depositados em uma plataforma cerimonial.
Entre elas estava uma adolescente que ficou conhecida como A Donzela de Llullaillaco.
O frio extremo e o clima seco da montanha preservaram seu corpo de maneira impressionante.
Suas roupas continuavam praticamente intactas.
Seu cabelo permanecia longo e cuidadosamente trançado.
E, próximo à sua boca, ainda havia pequenos vestígios de folhas de coca.
Mas uma das informações mais surpreendentes estava escondida justamente em seus cabelos.
O cabelo humano cresce, em média, cerca de um centímetro por mês.
Enquanto cresce, pode incorporar sinais químicos relacionados à alimentação e a determinadas substâncias consumidas.
E os aproximadamente 28 centímetros de cabelo preservados da adolescente guardavam informações sobre mais de dois anos de sua vida.
Os pesquisadores analisaram diferentes partes dos fios.
E uma espécie de calendário começou a surgir.
Cerca de um ano antes de sua morte, a alimentação da jovem mudou significativamente.
Ela passou de uma dieta mais simples, típica das regiões onde vivia, para alimentos associados a um status social mais elevado, incluindo maior consumo de proteínas e milho.
Ao mesmo tempo, o consumo de folhas de coca também aumentou.
Mas havia outro detalhe intrigante.
Junto aos corpos das crianças foram encontrados pequenos feixes de cabelo.
A análise indicou que, aproximadamente seis meses antes de sua morte, o cabelo da adolescente havia sido cortado.
Depois, seus cabelos foram cuidadosamente arrumados e trançados para a cerimônia.
Alguém guardou aquele cabelo.
Durante séculos, ninguém poderia perguntar àquela menina o que havia acontecido durante seus últimos anos.
Mas parte dessa história permaneceu crescendo em sua cabeça.
Cada centímetro dos fios preservava uma pequena parte do passado.
E, cinco séculos depois, a ciência conseguiu transformar aqueles fios em uma espécie de registro de sua vida.
A Donzela de Llullaillaco permaneceu em silêncio desde os tempos do Império Inca.
Mas seu cabelo ainda tinha uma história para contar.
E talvez essa seja uma das coisas mais impressionantes da arqueologia:
mesmo quando uma pessoa desaparece há séculos, às vezes, uma pequena parte dela permanece para contar o que viveu.
Você imaginava que um fio de cabelo pudesse guardar informações sobre a vida de alguém por mais de 500 anos?
FONTE:Crônicas Históricas






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