Em Manaus, dois gigantes amazônicos correm lado a lado sem se misturar imediatamente: as águas escuras do Rio Negro encontram as águas barrentas do Solimões e formam o Amazonas.
Poucos fenômenos naturais ajudam a visualizar tão claramente a escala da Amazônia quanto o Encontro das Águas, nos arredores de Manaus.
De um lado chega o Rio Negro, com águas muito escuras. Do outro vem o Solimões, carregando grande quantidade de sedimentos dos Andes, o que lhe dá uma tonalidade mais clara e barrenta.
Quando os dois se encontram, porém, a mistura não acontece de imediato.
As águas seguem lado a lado por vários quilômetros, formando uma divisão visível. Isso acontece por uma combinação de diferenças de temperatura, densidade, velocidade das correntes e quantidade de sedimentos entre os dois rios.
O contraste também revela que estamos diante de sistemas fluviais com características bastante diferentes. O Negro transporta relativamente pouco sedimento em suspensão e possui águas naturalmente ácidas e escuras pela presença de matéria orgânica dissolvida. O Solimões, por sua vez, carrega uma enorme carga de sedimentos trazidos pela bacia andina.
Depois desse encontro, o curso d'água passa a receber oficialmente, no Brasil, o nome de Rio Amazonas.
E Manaus cresceu justamente às margens desse gigantesco sistema hidrográfico.
Em uma região onde as estradas terrestres não possuem a mesma abrangência encontrada em outras partes do país, os rios funcionam como grandes corredores de transporte. Embarcações movimentam passageiros, alimentos, combustíveis e mercadorias entre Manaus e inúmeras comunidades e cidades amazônicas.
Vista do alto, a imagem mostra algo maior que uma curiosidade de cores. O Encontro das Águas representa a união de duas imensas redes hidrográficas e marca o início do trecho brasileiro chamado Amazonas o rio que, dali em diante, continuará atravessando o continente até alcançar o Atlântico.






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