
As mensagens apontam que o grupo era composto ainda pelo desembargador Newton Ramos, do TRF-1, esposo de Camilla. Newton era o intermediário entre Nunes Marques e Vorcaro, sendo responsável por repassar pedidos do magistrado e atualizar o banqueiro sobre o andamento dos processos.
Outras mensagens obtidas do aparelho de Daniel Vorcaro revelaram solicitações de Nunes Marques, Newton e Camilla como hospedagens em hotel de luxo, viagem de jatinho, camarotes para o carnaval do Rio de Janeiro, ingressos para corridas de Fórmula 1 e até a locação de uma mansão em uma área nobre da capital fluminense para “KN”.
Para que o pagamento fosse feito, era preciso que o grupo obtivesse êxito em 12 ações que renderiam R$ 8,5 bilhões em precatórios a Daniel Vorcaro. Os valores são referentes a títulos de dívidas do governo após o Master adquirir créditos de empresas fechadas do setor sucroalcooleiro, como usinas de açúcar e álcool.
As investigações apontam que Vorcaro cercava ministros da Segunda Turma do STF com o objetivo de agilizar os julgamentos e obter votos favoráveis ao pagamento dos precatórios. É nesse contexto que estaria ligado o nome de Nunes Marques.
Em outras mensagens interceptadas, Camilla Ramos aparece comemorando o voto do ministro que decidiu pelo pagamento de um dos débitos do governo.
— É um excelente voto do ministro Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização — disse.
Além do ministro do TSE, votaram a favor Dias Toffoli e Edson Fachin. Os contrários foram André Mendonça e Gilmar Mendes. Nunes Marques chegou a se declarar inicialmente impedido por ter decidido o caso como vice-presidente do TRF-1, mas se retificou e votou por se tratar de uma tese ampla.
Kassio Nunes Marques e Newton Ramos se manifestaram sobre a divulgação das informações e negaram qualquer irregularidade em tratativas envolvendo Daniel Vorcaro ou o Banco Master.
Leia a nota de Kassio Nunes Marques:
O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro e nem pediu nada a ele. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele. São irresponsáveis quaisquer tentativas de relacionar a atuação do ministro com os serviços prestados pelo filho ou quaisquer terceiros. Em relação ao processo citado sobre a usina, o ministro Kassio Nunes Marques estava impedido por anotação da Secretaria porque decidiu o caso como vice-presidente do TRF-1. Posteriormente compreendeu que tecnicamente não estava impedido, por se tratar de tese ampla, pediu retificação à Secretaria e acabou votando. Votou diversas vezes no mesmo sentido enquanto estava no TRF-1. Embora na mensagem eles estivessem comemorando o resultado, não se tratava de ação sobre o Master, era uma tese que se aplicaria a diversas empresas.
Leia a nota de Newton Ramos
Esclareço que sou casado com a advogada Camilla Ramos, que atua em causas cíveis para o Banco Master. Vale destacar que mantínhamos relação pessoal com o ex-banqueiro antes dos fatos ora objeto de investigação. Em razão da participação societária na empresa Prime You, o empresário foi consultado sobre a disponibilidade de imóveis e transportes. Tratou-se de situação privada articulada com a profissional que presta serviços para o referido banco, sem qualquer vínculo com funções públicas. Por fim, nunca julguei qualquer causa de interesse do Banco Master.
FONTE:PLENO NEWS






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